Às vezes, mais do que economia ou saúde ou educação, precisamos de ouvir falar de ética e de carácter. Manuel Moura dos Santos pode dar-nos uma ajuda: toda a entrevista (no youtube em três partes) vale a pena; eu destaco e fiz a transcrevi alguns momentos de elevado desabafo e descrença no país em que vivemos. Dá que pensar.
[04h31]
"Nós vivemos num pais onde a falta de valores.... este pais, neste momento, é mesmo um pardilheiro muito mal frequentado. Os valores são tão rasteiros, acho que se chegou ao limite da decência.. o pântano nunca foi tão extenso e tão profundo como agora.
E o mais revoltante é a passividade das pessoas. A sensação que eu tenho é que realmente nós somos um povo muito bem mandado.. fomos bem mandados durante cinquenta anos e pa… pelos vistos gostamos de ser bem mandados. O que nós estamos a assistir... a malta devia estar nas ruas, aos berros, a barafustar, eu não estou a falar em violência, mas a barafustar a e a dizer ‘por amor de deus, nós é que pagamos isto tudo, tenham algum respeito por nós' ;
Porque o que nós sentimos hoje é isto, é que não há respeito pelo povo; o povo deixou de ser a figura central disto…
Pá, há um grupo de gente que se apropriou do Estado e de tudo o que tem a ver com o Estado, que governa isto e não governa, governa para eles próprios e para grupos de interesse a eles associados, seja nas obras publicas, seja aqui seja acolá, nós já não fazemos parte disto, nos somos aqueles que somos obrigados a alimentar isto (...)"
[05h47]
Manuel Moura dos Santos, em entrevista ao Alta Definição (20Fev2010)
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